17 de jun. de 2020

CARTA ABERTA EM DEFESA DA LIBERDADE ARTÍSTICA E DO DIREITO AO HUMOR




Carta aberta em defesa da liberdade artística e do direito ao humor
Os chargistas, caricaturistas, desenhistas e ilustradores de todo o Brasil, que subscrevem esta carta aberta, manifestam sua solidariedade aos colegas, vítimas da intolerância e da perseguição política, assim como protestam contra a violência daqueles que procuram censurá-los.
O desprezo pela democracia dos nossos governantes chega ao ponto do próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, por meio do seu ministro da Justiça, André Mendonça, solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público a abertura de investigação sobre uma charge de autoria de Aroeira. A imagem, uma clara alusão à ausência de políticas sanitárias em plena pandemia causada pelo vírus da Covid-19, mostra uma cruz vermelha (símbolo da saúde) transformada em uma suástica pelas mãos autoritárias do presidente. O absurdo da iniciativa fica evidente quando sabemos que “o pedido de investigação leva em conta a lei que trata dos crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social, em especial seu art. 26”. O Brasil está se tornando um país onde o humor passa a ser censurado como nos piores períodos da ditadura. O que é mais estarrecedor: uma charge ou pessoas atirando fogos sobre o STF? Esta uma ação que, sim, mereceria a atenção do ministro da Justiça.
Como se isso não bastasse, os desenhistas Laerte, João Montanaro, Alberto Benett e Cláudio Mor estão sendo interpelados na Justiça pela publicação de cinco charges críticas à violência policial. Apresentada em dezembro de 2019, no jornal Folha de S. Paulo, os trabalhos despertaram a ira da Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar, Defenda PM, que entrou na Justiça com pedido de esclarecimento criminal, pois as considerou “constrangedoras”.
A função de toda boa charge é a de, através do humor, refletir e comentar por meio do desenho os acontecimentos de interesse do cidadão. A charge não é uma criação do nada, mas sim o termômetro do que o povo fala pelas ruas.
Portanto, é descabida a afirmação de que uma charge possa ser “constrangedora”, quando o que deve constranger e chocar a opinião pública é o fato que a gerou. Sabemos que ao longo da história, diversas charges, cartuns e caricaturas resultaram em perseguição e represália aos artistas que as criaram, o que atesta a dimensão que o humor pode alcançar na sociedade.
Assim sendo, protestamos contra qualquer tentativa de cercear a liberdade artística, de imprensa, de consciência e o trabalho dos chargistas brasileiros que, por meio do traço, ajudam na construção de um país mais justo e solidário.

Junho de 2020

Associação dos Cartunistas do Brasil
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
AQC - Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas - SP
Instituto Memorial das Artes Gráficas do Brasil

16 de jun. de 2020

FERDINANDO BUSCAPÉ OU JOE COMETA
















João Antonio Buhrer:
"Al Capp para mim é o máximo em quadrinhos. Estas histórias em que mistura dois personagens  numa mesma história é fantástica, foram publicadas na volta do GIBI, na década de 1970, pela RGE. Dizem que o dinheiro que possibilitou ao Roberto Marinho a montar seu império veio dos quadrinhos, assim pôde retribuir nos anos 70, republicando os clássicos. Dizem que o Gibi nesta época encalhou e deu-lhe prejuízos. O que interessa de fato aqui é a Turma do Brejo Seco e o personagem Joe Cometa, numa metalinguagem moderníssima."

https://www.facebook.com/joaoantonio.buhrer

11 de jun. de 2020

CHARGISTAS DO SEGUNDO IMPÉRIO DENUNCIARAM DESCOMPROMISSO DO GOVERNO NO COMBATE À PANDEMIA



#BordaloPinheiro e #AngeloAgostini criticaram o cinismo e o negacionismo das autoridades de então. O "E daí?" dos #genocidas da época.
"No Brasil Império, chegada de vírus mortal provocou negacionismo e crítica a quarentenas.
Documentos históricos do Arquivo do Senado mostram que, apesar da destruição que a febre amarela produzia no final do século XIX, houve políticos que minimizaram a gravidade da epidemia."

1 de abr. de 2020

ALMANAQUE DO BIÔNICO EM SALMOURA






Direto dos "Arquivos incríveis do João Antonio".
Almanaque do Biônico em Salmoura ano 1.
- Desta edição do almanaque eu possuo apenas algumas páginas, como não estão numeradas e não tem expediente, penso que estão faltando mais algumas delas. Devo ter recortado apenas uma página da Mad 83 de maio 1981, fiz alguma bobagem aí, pela qual me penitencio.
Zamagna, o autor desta obra, lembra-se de ter feito oito números, mas não sabe dizer se todos foram publicados. Um exemplar foi encartado na revista MAD, lembra o ex-editor Otacílio de Assunção.

A publicação Almanaque Biotônico Fontoura, publicado pelo famoso Laboratório Fontoura, é (ou foi, não sei se ainda é publicada) uma verdadeira instituição no Brasil! Já faz parte do imaginário coletivo, é provavelmente o mais famoso dos almanaques de farmácia. Muito embora eu pessoalmente curta mais o Sadol/Renascim, que na minha região era mais comum. Em maio de 1981 a revista MAD (Ed Vecchi, número 83) resolveu fazer uma paródia deste almanaque, assim encartou um folheto em papel jornal com o nome de "Almanaque Biônico em Salmoura". Esse biônico que hoje pode não fazer sentido para os mais novos é uma alusão a um tipo de político que não era votado, e sim levado ao cargo por intermédio de outros políticos. E salmoura é só uma graça mesmo. Nem preciso dizer que este encarte hoje é raríssimo de se encontrar, verdadeira pérola de colecionador.

31 de mar. de 2020

QUADRINHOS PARA A QUARENTENA

Com vários eventos de quadrinhos sendos adiados neste semestre por conta da pandemia do Coronavírus, quadrinistas de todo o Brasil se juntaram para criar a campanha Quadrinhos para a Quarentena, um pacotão de histórias gratuitas de estilos e gêneros diferentes. São autores novos e experientes compartilhando trabalhos completos para leitura durante a quarentena contra o coronavírus (COVID-19). A ideia foi inspirada pela hashtag #coronacon, levantada por vários artistas no Twitter que compartilhavam seus trabalhos.
 
Além de aliviar os efeitos da quarentena, a campanha também busca dar mais visibilidade aos autores de quadrinhos brasileiros, que têm boa parte da sua renda relacionada a convenções, cursos e outros eventos presenciais. Ao baixar uma HQ, o leitor pode seguir o autor nas redes sociais e vir a comprar suas obras, ajudando o artista a passar por este momento de eventos cancelados e livrarias fechadas.
 
Os quadrinhos estarão disponíveis no link https://bit.ly/hqsnaquarentena por TEMPO LIMITADO. 

Para contribuir e obter mais informações: contato@zewellington.com
Acesse o site da campanha

ARTIGO DO WORNEY ALMEIDA DE SOUZA

 Paixão Gay no Mundo Disney??!!!!


            Desde março do ano passado, os direitos de publicação das revistas Disney foram comprados pela editora Culturama, de Caixas do Sul (RS). Com a editoria do competente Paulo Maffia, a nova empresa rejuvenesceu os títulos, com HQs inéditas, principalmente dos estúdios italianos, mas também dinamarquesas e holandesas. São seis títulos mensais: Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey, Pateta, Aventuras Disney e Histórias Curtas. Com o mesmo tamanho dos tempos da editora Abril: 13,5 X 19,5 cm, as revistas têm 68 páginas e são coloridas. O preço de cada exemplar é R$ 6,00. As capas são os grandes destaques com mestres como Giorgio Cavazzano e as HQs tem Vicar, Marco Mazzarello e o genial Enrico Faccini.
            Também são publicadas edições especiais com capa dura e maior número de páginas: O Grande Almanaque Disney, Especial de Férias, Histórias Natalinas, Especial Histórias sobre Amizade, Donald Jovem, O Manual dos Exploradores Curiosos, Diário de Histórias do Donald e Histórias para se Apaixonar.
            Os colecionadores ficaram contentes pois a Culturama publicou ainda cinco números zero: Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey, Pateta e Aventuras Disney e caixas box diferentes ou com as revistas do mês ou com cinco números do mesmo título com adesivos de brinde.
            O mais recente mimo é uma promoção de assinaturas com as seis revistas mensais em que o leitor recebe uma carteirinha de sócio, um calendário, um brinde surpresa (o que será?) e uma edição exclusiva para assinantes de 176 pgs., comemorando os 90 anos do Mickey.
            A ambientação de cada habitante de Patópolis continua como antes: Tio Patinhas é o multimilionário avarento, Donald o eterno azarado, Gastão sortudo, Mickey aventureiro, Pateta atrapalhado e dezenas de outros atributos imutáveis que tornaram os personagens ícones da cultura pop e do mundo dos quadrinhos. Todos são parentes próximos, ninguém é casado, todos são primos ou tios e existem dois conjuntos de aventuras básicas: o mundo dos patos e o mundo do Mickey que frequentemente interagem. Outros universos também são publicados: Banzé, Madame Mim, Havita, mas em menor frequência. Só falta mesmo o Zé Carioca, que inexiste na produção europeia.
            Assim todos os argumentos das HQs são conhecidos, muitos corriqueiros e alguns até repetitivos como as roupas de marinheiro do Donald ou o surrado paletó do Patinhas, mas algumas poucas vezes algum roteirista sai do normal e surpreende.
            É o caso do dinamarquês Kai Vainiomäki que escreveu a HQ “A Poção da Paixão”, desenhada por Ronaldo Mendes e publicada no álbum Histórias para se Apaixonar, que saiu em junho de 2019, no Brasil, e dez anos antes na pátria do roteirista.
Com quatro páginas a história retoma a competição pelo amor de Margarida entre Donald e Gastão. Apesar de ser namorada “oficial” do Pato, ela sempre é cortejada pelo Gastão e as cenas ciúmes de Donald são intermináveis, mas desta vez, depois de flagrar o primo entregando flores para a amada volúvel, ele resolve comprar uma poção do amor de uma cigana. Bastava borrifar a poção no rosto da namorada que ela iria se apaixonar loucamente para primeira pessoa que vir.
            Assim nosso eterno apaixonado resolve testar antes em três pedestres e todos eles se apaixonam perdidamente pela primeira figura que passa em sua frente, até um burguês de cartola descobre seu amor por uma cachorra! Testes feitos, Donald se aproxima de Margarida que está passeando de braços dados com o Gastão, mas quando vai borrifar o misterioso perfume, um vento aparece e a essência vai na cara do primo!  O resultado é que Gastão fica apaixonado pelo Donald, declarado: “Preciso confessar meus sentimentos por você, primo!” e sai correndo atrás do azarado para lhe dar um beijo!
            A piada é muito boa, só que apresenta uma declaração de amor entre patos do mesmo sexo!  Assim propositalmente ou não o roteirista Vaniomäki talvez  tenha apresentado a primeira demonstração de amor entre homens/patos do conservador mundo “American way of life” Disney.       
            Pasmem!!!


                                                                       Worney Almeida de Souza